Rainy Day
Nos Estados Unidos existe o rainy day, principalmente, para eventos ao ar livre. O dia alternativo pode acontecer por chuva, nevasca, incêndio, distúrbios urbanos, algo inusitado. Portanto, anunciamos a nova data do Brazilian Day Boston(setembro 27).
Setembro em New York chega com chuvisco e vai aumentando com chuva. Foi o que aconteceu no segundo BD, em 1986.

As 5 da manhã fui buscar o palco em Patterson, Nova Jersey. Já tínhamos 110 barracas para comida, artesanato, livros, produtos Made in Brazil: tanga, asa delta, camisetas. Proibido vender destilado.
Mauro, “marinheiro”-mineiro, resolvedor e criador de problemas, vendia batidinha de Pitú para acompanhar a feijoada. A bebida em garrafa térmica com duas medidas: copo de plástico pequeno 2 dólares, grande 5. As garrafas de Pitu, limão e gelo, mocosados no Coisa Nossa: pastel, caldo de cana, bolo de queijo, goiabada cascão, da mineira Tania Mara. Nesse BD, Mauro faturou 725 dólares.
Deus é brasileiro

Ia tudo bem. Quando as 11 da manhã o céu escureceu. O vento gemia na rua 46 entre o leste e oeste da cidade. As modelos nas fantasias de Jesus Henrique, trazidas do Rio, lotavam o lobby do Wentworth hotel. A chuva engrossou.

O coral da igreja Assembleia de Deus, de Queens, preparado para o Hino Nacional (pela primeira vez executado, ouvido, em New York). Mais e mais gente chegando.
O ambiente era ótimo. Mas, o dia virando noite. E, agora Jota?
Quando anunciei o Hino Nacional, ninguém arredou o pé. Lágrimas da chuva e lágrimas dos olhos. A baiana Mara Magalhães, amiga do Pelé, de João Gilberto, de Benito Romero, quebradora de galho, solidária, figura amada pela comunidade do Village (onde ela morava) e da rua 46, “driblou” o segurança, e subiu ao palco.

Mara pegou o microfone e gritou Jota, Deus é brasileiro. E repicou, a chuva vai parar, Deus é brasileiro a chuva vai parar, e o povo repetia Deus é brasileiro a chuva vai parar...
E parou. O sol entrou pelos prédios de vidro e aço da Sexta Avenida jogando claridade na rua 46 que vibrava de saudade e mostrava o orgulho de ser brasileiro.
Foi um rio que passou em minha vida.
E foi mesmo. Aí pelas 7 horas, anoitecia em Manhattan. O chuvisco voltou como garoa fina anunciando o inverno. Modelos em suas fantasias vinham da Quinta para o palco na esquina da Sexta Avenida. E aí aconteceu um dos momentos mais emocionantes de minha vida.
O cantor Miltinho, rei do balanço, cantando Foi um rio que passou em minha vida, sucesso de Paulinho da Viola, provocou mais lágrimas . Surgiram abraços. Mãos juntas. Gente beijando a bandeira do Brasil. A iluminação dos postes batendo no chuvisco criava imagens e figuras de “outro mundo” que nem a IA de hoje seria capaz de imitar.
Todos BD são importantes. Mas, esse do Deus é brasileiro está forever do lado esquerdo do meu peito.
Teste o seu BRA:

O primeiro país a reconhecer a independência do Brasil: França, Itália, Inglaterra, Argentina, Estados Unidos? O que D. Pedro levou para o seu exílio e pediu para ser enterrado com: sua espada, seu chapéu, terra brasileira?
Onde Jota Alves hasteou a primeira bandeira do Brasil em New York: na Quinta avenida, na Sexta Avenida, em Wall Street, na rua 46? Qual jogador que mais impulsionou o futebol “soccer” nos Estados Unidos: Maradona, Messi, Pelé, Beckenbauer?
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Trilha sonora: